O que acontece depois da aprovação na Polícia Civil?

Neste artigo, você confere a história de sucesso da professora da Casa e Escrivã de Polícia Raquel Peruzzo na PC-RS.


Muitas pessoas carregam consigo o sonho de conquistar uma vaga em concursos de Segurança Pública desde a infância. São anos de dedicação contínua aos estudos até atingir esse objetivo. Mas o que vem depois?

No artigo de hoje, a profª. Raquel Peruzzo conta como foi a trajetória dela até ser nomeada na Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul e como é o dia a dia de trabalho. Confira!



Um filósofo inglês chamado Mark Twain certa vez disse: “os dois dias mais importantes da sua vida são: o dia em que você nasceu e o dia em que você descobre o porquê”. Acredito que essa seja a pergunta mais importante que devas fazer a ti mesmo: QUAL O TEU PORQUÊ?

Em épocas em que se busca a estabilidade profissional junto ao concurso público, podemos dizer que somos, sim, diferenciados. Quem escolhe fazer concurso para polícia o faz por um motivo muito maior: trata-se de uma condição interna, um chamado irresistível do coração. Não escolhemos ser policiais, nascemos policiais.

Para muitas pessoas, essa descoberta ocorre ainda na infância, nas brincadeiras de bandido e mocinho. Para outros, ao longo da adolescência e vida adulta. E, para alguns, a descoberta ocorre até mesmo durante o curso de formação profissional. Mas todos que trazemos essa condição dentro do nosso coração encontramos aquele instante de paz que somente a certeza de que estamos no lugar para o qual nascemos pode nos proporcionar.

Entretanto, o caminho trilhado até a concretização do nosso sonho, na grande maioria dos casos, é árduo e demanda a dedicação própria de quem possuiu o sangue policial correndo nas veias. Muitos contam com o apoio dos familiares, alguns com apoio nenhum, mas, quando temos o nosso porquê firme no coração, certamente trilhamos cada etapa do certame com a fibra que se exige dos espartanos: com força, com honra, com fé.

Quando fui aprovada no concurso da Escrivã de Polícia Civil do Rio Grande do Sul, passei primeiro por um rigoroso concurso público, com inúmeras fases e que contou com quase 15 mil inscritos. Depois, pela intensidade de um curso de formação com provas físicas e teóricas, treinamento com armas, treinos físicos, sábados e domingos de provas. A Academia de Polícia é fase do concurso e precisamos se aprovados em todas as disciplinas para que possamos efetivamente ser nomeados no cargo. 

Ao longo dos meses de Academia, senti que fui aos poucos forjando um novo papel social: a Raquel policial civil. A convivência com os professores, os estudos focados na carreira, as diversas disciplinas, o manejo de armas de fogo – sentia como se um novo e apaixonante mundo estivesse se descortinando diante dos meus olhos. Eu, que tantas vezes me senti incapaz depois de tantas reprovações, agora estava ali, convivendo com colegas que tinham os mesmos sonhos que os meus, com professores que eram referência e dos quais, em poucos meses, eu seria colega de profissão! Era um sentimento mágico! Com muita alegria, passados quatro anos em que fui aluna, fui aprovada em seleção interna que contou com diversas fases e, atualmente, sou professora da Acadepol nas matérias de Direito e Redação Policial. 

O curso de formação da academia de polícia dura aproximadamente seis meses – tempo relativamente curto, mas de uma vivência tão intensa que a amizade, o companheirismo, os risos e as lágrimas que dividimos com nossos colegas nos acompanham para sempre. Hoje, já passados mais de cinco anos, sei que não tenho amigos, mas sim irmãos, nos quatro cantos deste Estado. 

Concluída a Academia de Polícia, chega a tão esperada hora de colocarmos em prática os conhecimentos recebidos. Não temos nem nunca teremos todas as respostas em razão da natureza peculiar de nossa profissão, mas, com certeza, a bagagem adquirida na Academia consiste em verdadeira mola propulsora para que sejamos profissionais comprometidos, éticos e leais, tornando-nos protagonistas na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna. É aquele chamado irresistível do coração, que vai nos dar a certeza de um porquê que supera qualquer como.



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